quinta-feira, 4 de abril de 2013

Primeira semana na escola!

Aviso: A partir desse post já me encontro no Brasil e infelizmente não mais no país dos cangurus! Os relatos são de meses atrás quando ainda me encontrava na Austrália e escritos baseado nas minhas memórias, anotações diárias e demais registros!

Se o meu primeiro dia na escola até que foi um dia interessante (até mesmo pela emoção de ser "O primeiro dia!" e pelas "descobertas e novidades") o mesmo eu não posso falar sobre a primeira semana! De longe foi a minha pior semana na Austrália em relação à escola! (03 a 07/12/2012) Principalmente por dois motivos: para variar conheci mais brasileiros (que praga, meu amigo!) e meu inglês com a fluência ainda bem ruim me dificultava muito conversar com os estrangeiros (os poucos que tive chance de me aproximar mais!). Era tanto brasileiro que eu conhecia nesta primeira semana que a impressão que eu tinha era de que 20 a 30% dos estudantes eram brasileiros (porém descobri mais tarde que, felizmente, essa impressão estava longe de ser uma estatística verdadeira!).

Bom, na realidade, esse período de angústia só duraria mesmo a primeira e talvez a segunda semana, de forma que foi só melhorando até o final da viagem e nas últimas semanas nem mesmo mais me preocupava com esses quesitos. Com relação a evitar os brasileiros, aprendi a fazer muita amizade com os(as) asiáticos(as) da escola (pessoas que tenho saudades e muito dos quais até hoje mantenho contato via facebook/skype) e fora da escola minha vida melhorou muito em relação a este quesito desde o primeiro dia que comecei a fazer amizade e frequentar os eventos do couchsurfing (a primeira vez foi no Australian Day, dia 26 de janeiro), é impressionante como era realmente muito difícil encontrar um brasileiro por lá e assim conseguir fazer amizade das mais variadas: com europeus, orientais, australianos, indianos e até mesmo falantes nativos como um britânico e um americano da Califórnia! (para quem não sabe o que é couchsurfing explico apenas em posts futuros). E em relação ao inglês, de fato eu não possuía um inglês "ruim"! Ao contrário de uma galera que sai do Brasil sem saber nada, eu já tinha uma boa base porque fiz curso e estudei inglês a vida inteira! Meu único problema era que no início eu tinha uma dificuldade muito grande de me expressar em situações reais (já que no Brasil o aprendizado era baseado em livros, exercícios, cd's e aqueles diálogos "artificiais" em sala de aula), de forma que sofri bastante nas primeiras semanas para pegar o "ritmo", mas depois de um tempo (das primeiras semanas) vivendo na Austrália já me comunicava confortavelmente! Me sentia quase fluente falando hahahah...

Para começar o tormento na primeira semana que falei ali em cima, a semana já se inicia com o fato de que me trocaram de turma e me colocaram em um sala errada já na terça-feira! (não só eu como vários outros alunos). Sim, como falei, fui classificado na avaliação deles para o nível 3A - que seria Upper Intermediate (intermediário avançado) - e numa confusão deles me trocaram para a sala do nível 3B - que seria Advanced (avançado e último nível da escola). O problema maior não era nem o nível em si, mas sim que o 3A onde eu deveria ficar era uma turma de General English (focado em inglês geral/conversação) e a turma que me trocaram equivocadamente não era General English, mas sim uma turma especial para preparar pro IELTS, um exame acadêmico internacional! Numa confusão da escola para criar uma turma separada para a galera que está se preparando para o IELTS, acabaram me jogando lá dentro sem nem mesmo me consultar, sendo que eu não tinha a mínima intenção de fazer esse exame e muito menos me preparar para ele!

Chego na terça-feira na escola e noto que a turma está bem diferente, mas tudo bem nada demais! O problema é que as aulas eram maçantes, apenas gramática e exercícios maior parte do tempo! (em vez de conversação como seria no 3A - "General English", onde eu deveria estar!). Ou seja, as aulas eram tudo aquilo que eu fazia no Brasil que pode ter me dado uma boa base mas nunca me conduziu a de fato ter a fluência no inglês. Eu ficaria mais ou menos uma semana e meia nesse tal de IELTS antes de voltar para a turma que eu deveria está, uma perda preciosa de tempo! Aulas focadas em um exame que eu não ia fazer (em vez de focar em comunicação e fluência que era o que realmente necessitava) e turma bem mais avançada que o meu nível no momento, o que acabava me empurrando para o escanteio durante as aulas (mas como falei, eu tinha base em inglês, o que faltava era só pegar mais fluência "em situações mais reais". Lembro que no início o pessoal do IELTS me assustava, mas depois de várias semanas quando reencontrava os antigos amigos dessa turma, eu me impressionava como estava no mesmo nível de "fluência" deles ou até mesmo melhor)

Desde do meu segundo dia na Austrália eu já estava com a preocupação de procurar emprego (dinheiro é sempre bom hehehe), e sem dúvida a melhor forma de perseguir esse objetivo é se misturando com pessoas de seu país para conseguir melhores informações e se ajudar mutuamente (afinal, os melhores empregos se consegue por indicação, ainda mais quando não se tem experiência). Por isso, a parte do emprego sempre foi minha maior pedra no sapato, funcionava como uma prisão: ao mesmo tempo em que queria ver minha liberdade longe dos brasileiros, eu me sentia forçado a me socializar com eles porque se não a vida sem emprego ficaria muito mais difícil! (e de fato quando finalmente consegui um emprego fixo -quase um mês depois- foi graças a dois amigos brasileiros muito gente boa! Um mais próximo que avisou ao outro que eu tava precisando e outro que me colocou lá dentro e viramos amigos e colegas de trabalho!).

Ok, no intuito de fazer alguns contatos e trocar experiências, procurei alguns estudantes brasileiros no intervalo das aulas. Meu deus, como conheci brasileiro "mala" naquele dia! rsrsrs... não sei que pecado eu havia cometido, porque, poxa, só encontrei cara "babaca"! (muito dos quais felizmente nem cheguei a reencontrar mais tarde). Sabe aquele cara que não quer nada com vida? Putz, aqueles caras que só querem ser maloqueiro, só sabe falar algo se for cheio de gírias e algo do tipo!  Uns caras meio perdido, que parecem que não querem nada com a vida e a mãe manda para Austrália para ver se dá um jeito no moleque! Pois então, era mais ou menos isso o naipe dos caras que tive o "desprazer" de conhecer! Poxa, não era possível que eu fosse um dos únicos que tivesse ido para lá porque era alguém que estudou muito para entrar numa universidade boa (estudo na USP atualmente) e tivesse como objetivo focar em estudar/aprender inglês o máximo possível! Foi nessa hora que abaixei a cabeça e me perguntei se eu tava mesmo no lugar certo ou se eu tinha feito uma decisão muito errada na minha vida? Pior que quando eu chegava em casa de noite, o Frederico (meu primo) sempre ajudava a reforçar esse esteriótipo de brasileiro "mala" no exterior, dizendo que esses caras eram tudo "mala" e mentiroso (e de fato alguns eram) e ele sabia até mesmo imitar o jeitinho "maloqueiro" que esses caras falavam! (depois até peguei a "manha" e aprendi como imitar também, era só misturar várias gírias e expressões em inglês pelo meio e falar com um "ar" de carioca malandro hahahah... eu e o Frederico nos divertíamos bastante entre a gente imitando esses malucos uahsuahus... ou então ouvindo as histórias que ele me contava sobre esses brasileiros "malas")

Não tou dizendo que todos os brasileiros sejam "malas" (e nem mesmo que a maioria seja!), mas naquele dia tive o azar de só encontrar cara "mala", meu Deus! Dois me marcaram em especial: um cheio de tatuagem, que tava com a camisa de clube brasileiro (nossa, o cara vai para uma escola de inglês na Austrália e fica andando com camisa de clube e discutindo campeonato brasileiro no intervalo! aff...) e só falava besteira! E o outro poderia ganhar o troféu de maior mentiroso que eu já conheci! Eu conheci o cara na sala de aula o abordei no intervalo para trocar umas ideias sobre a vida na Austrália, afinal ele já tava ali a mais de um ano e me poderia me passar experiências valiosas. Duas mentiras dele foi as que mais me marcaram. A primeira delas foi quando eu perguntei para ele se ele realmente tinha objetivo em aprender inglês, porque os amigos dele na Austrália eram tudo brasileiros e logo ele falaria português a maior parte do tempo. Aí o cara me veio com uma história de que isso é de agora, porque ele já tava a mais de um ano na Austrália tinha um inglês bom (mentira!) e não precisava se preocupar tanto com isso, porque no início quando ele chegou e não sabia uma palavra em inglês ele só se misturava com os asiáticos da escola para não falar português! (outra mentira "deslavada"). Então questionei ele como isso seria possível já que ninguém sabia inglês (e conversar com asiático é pior ainda, mesmo com inglês avançado as vezes é difícil de entender por causa da pronúncia, claramente o cara tava mentindo, nunca foi amigo dos asiáticos droga nenhuma!), aí ele fala que todo mundo ficava tentando fazer mímica para se entender e ninguém entendia ninguém, que era coisa de louco! E a segunda mentira das grande, e pior de todas, foi a história do celular: o cara falou que ia nas baladas e "pegava" as gringas só usando o tradutor do celular, escrevia no celular e mostrava para elas! O cara não tem nem vergonha de mentir! ahuahuahuahu (esse história é tão tosca que ficou clássica nas conversas minhas e do Frederico! Por muito tempo a gente lembrou essa história entre a gente para dá umas risadas! Se eu saía com alguma amiga asiática por exemplo, o meu primo sempre me lembrava para não esquecer de por o tradutor de japonês ou coreano para xavecar as minas só no celular auhsuahushau... pior que meu primo chegou a me acompanhar numa "festinha" do pessoal da escola e tive o "desprazer" de reencontrar esse cara lá, fiquei com muito medo do Frederico ir lá e dá uma "celulada" na cara dele, com um "what's your name" na tela ou algo do tipo, sorte que eu não contei pro meu primo quem ele era uahsahusahusuha... depois disso felizmente nunca mais encontrei esse cara na escola)

Voltando para a aula conheci um colombiano bem gente boa (Edwin) e ele acabou virando amigo por muito tempo! (até ele tirar férias da escola e sumir!). Gostava muito dele porque ele sempre se misturava muito com os brasileiros, assim toda vez que eu infelizmente tinha muito conhecidos brasileiros em algum canto (isso acontecia muito quando a gente ia jogar futebol por exemplo, mas em outras situações também), ele sempre acabava sendo uma ótima saída para que eu evitasse falar português! O único problema era que a pronúncia dele era muito ruim! Lembro uma vez que ele me perguntou "how old are you?" e eu respondi "fine, thank you!", eu tinha entendido "how are you?" uhasuuhasuh... realmente era uma pronúncia bem "ruidosa"!

Ele me convidou para ir na praia nesse dia (Cottesloe, uma praia bem famosa em Perth) e que iríamos encontrar um amigo dele na estação de trem para ir junto! Quando finalmente conheço o amigo dele, começo a bater um papo em inglês e pergunto de onde o amigo dele era, adivinha a reposta? Sim, do Brasil! (poxa, que decepção, conheço um cara gringo e penso que ele vai me apresentar outros amigos gringos e ele me apresenta um brasileiro! Mas eu ainda não sabia que ele tinha muito amigos brasileiros, assim como é comum a muito colombianos na Austrália). Respondo com desapontamento em português: "é, cara, sou do Brasil também, coincidência, né? Que legal!". Mas não é que o cara não dá bola para isso e continua falando comigo em inglês? O cara fazia doutorado (acho que em computação) na Unicamp, foi um dos primeiros brasileiros gente boa que conheci em Perth (Adenilson) e me deu uma força muito grande na Austrália, me passando história e experiências de vida verdadeira, e não uma sequência de mentiras como o "maluco do celular"! E mais tarde ele também me prometeu me ajudar na quarta-feira (dia seguinte) com várias coisas que eu ia precisar e me levar no escritório da Information Planet (ele coincidentemente tinha viajado pela mesma agência de intercâmbio que eu) que ficava muito perto da escola e os caras davam um suporte muito grande aos intercambistas (era tudo que eu precisava, e eu nem sabia da existência deste escritório brasileiro em Perth). E foi um dos poucos brasileiros que conheci que realmente fazia questão de falar inglês 100% do tempo! (mas o que nem sempre acontecia! Ao contrário de uma outra amiga brasileira -Adriana- que conheci que realmente era rigorosa neste quesito, a primeira vez que eu a vi falando português ou falei português com ela foi já no Brasil). No trem a gente encontra mais dois amigos, mais um outro brasileiro (como pode?) e um espanhol (esse espanhol era um cara bem gente boa o cidadão). No caminho para a praia a gente só conversava em inglês, me lembro que os caras tavam tentando me ajudar dando uns toques do que eu precisar no país e até coisas simples eu tinha dificuldade de entender, como conta de banco ("bank account") principalmente por causa da pronúncia. Mas mesmo assim não trocamos para português nenhuma hora! (acredito que isso mais por causa do Adenilson ou então em respeito aos amigos estrangeiros, porque o outro brasileiro lá -como descobrir mais tarde- não se incomodava em falar português na Austrália, assim como a maioria das pessoas normais, a exceção de mim, do Adenilson e da amiga que citei ali em cima hahaha)

Na quarta-feira retorno para aula, novamente naquela turma errada do IELTS. Me lembro que eu me sentia muito mal na aula! Tava numa turma errada, com um pessoal com um nível bem mais avançado que o meu naquele momento (com uma fluência que eu não conseguia acompanhar) e eu sempre me sentia "jogado para escanteio", não conseguia me entrosar, me comunicar com outros como eu gostaria de fazer e até mesmo participar da aula direito!  E pior, era uma sala de "panelinha" que já tinha uns grupinhos de amigos fechados (a mesma galera que tava sempre estudando para o exame do "IELTS") o que dificultava ainda mais o meu entrosamento, foi uma semana terrível! Bem diferente das semanas mais a frente quando me tornei entre os mais antigos e que eu era peça da "panelinha" da sala; mas em vez de tentar ignorar os novos estudantes que chegavam, eu fazia justamente ao contrário! Sempre os recebia muito bem e sempre carregava "mapas" na minha bolsa para dá para os novos forasteiros, que até mesmo me rendeu o apelido de "the tourist guy" (algo como "o cara do turismo" huahsuashsuhu), posso contar a história mais a frente.

Nesse quarta-feira duas coisas me marcaram! Conheci uma russa (Kate Kate) que falava pelos cotovelos ("speak underwater" na expressão idiomática que aprendi em inglês mais tarde, porque depois de algumas semanas eu próprio cheguei a receber esse "apelido" também hahahah) e ela tinha chegado na escola no mesmo dia que eu (fizemos a prova de avaliação junto), meu deus como essa menina me assustava, eu não entendia nada do que ela falava, e ela não parava de falar um minuto! hahaha... Outra coisa que me marcou nesse dia foi uma polonesa (Natalia), falava muito bem inglês também (apesar de não "falar pelos cotovelos" igual a russa haha), mas meu Deus como essa menina era inteligente! A gente fez uma atividade em dupla em que a gente dissertava sobre questões do nosso país e ela parecia uma enciclopédia, tamanho o conhecimento dela! Mas o que me surpreendeu mesmo foi quando eu fui falar sobre o Brasil (a gente tava falando de energia) e ela tentar fazer algumas referências a Usina binacional de Itaipu! Realmente surpreendente! (enquanto na Austrália conheci gente que não sabia mesmo apontar o Brasil no mapa Mundi ou outra que me perguntou uma vez se eu não era europeu porque o Brasil ficava na Europa. Não tou brincando!!! uhuauahaua)

Depois da aula, fomos embora em um grupo de pessoas, acho que metade brasileiros e metade de outra nacionalidade. A gente ia falando em inglês no caminho, mas o grupo ia ficando cada vez menor, até que só restou brasileiros (e para variar alguns "malas" que eu detestava pelo meio também), daí começa-se a falar só português, que decepção! (e o pior que isso me assustava porque eu temia muito que a maior parte do meu intercâmbio seria assim, tamanha a quantidade de brasileiros em todos os cantos! Mas graças a Deus isso não virou verdade, principalmente porque fiz amizades com os asiáticos como já falei, e graças ao couchsurfing também). Daí a gente se separa e fica só eu e o Adenilson, porque ele tinha me prometido levar no escritório da Information Planet naquele dia! Mas antes de ir lá ele me convidou para ir com ele na "Central Area" da "City" (isso são nomes próprios de lugares em Perth, por isso deixei em inglês), porque entre outras coisas ele gostaria de trocar dinheiro porque em algumas semanas ele iria para a final do Mundial de Clubes no Japão ver o jogo do Corinthians (é, todo mundo tem os seus defeitos hahahah). Foi legal andar e conhecer a "Central Area" da "City" (a "City" é como o centro da cidade de Perth e não a cidade em si),  é realmente um lugar onde dá para se achar de tudo em Perth! Mais ou menos como a "Rua Grande" em São Luís ou uma mistura da "Paulista" com "25 de Março" em São Paulo. Um lugar onde realmente se acha de tudo! Com o diferencial de ser um lugar bonito, grande, que não passa carro, espaçoso e organizado! Era um local que todo mundo ia com grande frequência e quase tudo que se queria se achava lá! (fora as manifestações culturais de todo tipo que ocorriam no lugar e que realmente me marcaram)

Enquanto a gente andava pela "Central Area" finalmente o Adenilson aceitou falar em português comigo (um dos poucos momentos que isso aconteceu! Apesar de que com "certos" brasileiros - que resistiam a falar inglês com outros "tupiniquins" - ele sempre falasse em português). A gente conversou durante um longo tempo sobre a Austrália (ele já tava a mais de 5 meses em Perth e já tinha bastante experiência) e isso foi realmente muito útil para que eu pudesse "firmar umas bases". Lembro que eu tava bem assustado no início, fazia vários questionamentos e mostrava várias preocupações, bem mais do que eu deveria ter para aquele que ainda era o meu terceiro dia da minha primeira semana. Minhas principais aflições giravam em torno de obtenção de emprego e da "infestação" de brasileiros. Sobre emprego lembro que ele até chegou a fazer uns dramas, de que a gente podia fazer uma das melhores universidades do país (ele Unicamp e eu Usp), doutorado e tudo mais (caso dele, não meu), mas quando você chega na Austrália você é um nada! Que ele começou como "toilet cleaner" (limpador de banheiro) e que isso é uma situação humilhante e blábláblá (mais tarde, eu comecei trabalhando como jardineiro e graças a Deus nunca trabalhei de "cleaner" hehehe). Sobre a "questão dos brasileiros", não lembro o que ele falou, mas certamente não seria algo muito útil, porque depois mais de 5 meses na Austrália ele ainda vive saindo com brasileiros. (nada contra, mas que no meu caso eu tinha "só" umas férias de 3 meses para desenvolver meu inglês e eu queria evitar essa "convivência com brasileiros" o máximo que eu conseguisse)

Depois de longas conversas (bastante úteis, ao contrário das histórias falaciosas do "maluco do celular" uhuahua), a gente voltou para os arredores da escola e ele finalmente me levou no escritório da Information Planet (nossa agência de intercâmbio brasileira). Conheci a mulher que chamava todo mundo de "lindão" e o Marcus Neri, um maluco de rastafári que até me assustou no início, mas o cara era muito competente, atendia muito bem e deu uma força muito grande (até convidei ele pro meu aniversário meses depois, mas infelizmente ele não pode ir. Em seguida, ele me convidou para uma viagem para Pinnacles, infelizmente recusei o convite quando descobrir que só tava indo brasileiros e dei uma desculpa qualquer).

O suporte da Information Planet foi simplesmente fantástico! Me ajudaram com tudo que eu precisava fazer desde que eu cheguei na Austrália! Como consegui um tax file number (obrigatório para conseguir emprego), abrir uma conta em banco (essencial para começar a trabalhar), consegui chip de celular, consegui adaptador de tomada (as tomadas lá eram diferentes como falei no post anterior, por isso eu tava a três dias sem usar meu celular ou laptop), ajudar a fazer currículo (ajuda de primeira e de valor inestimável), indicar sites para procurar emprego, etc, etc... E me deram uns mapas muito bons, que mais tarde até aprendi a distribui-lo entre os novos estudantes da escola e virar o "tourist guy" como falei ali em cima hehehe...  E o melhor: o suporte todo em português e o escritório (que constava inclusive com computador e internet a vontade) a menos de um quilômetro da escola (a escola tinha computador e internet também, mas além de lento eles bloqueavam alguns sites úteis como o facebook, ridículo!). Esse é o motivo pelo qual não me arrependo em hipótese alguma de ter viajado pela Information Planet, meus amigos da escola (brasileiros ou não) ficavam morrendo de inveja com o suporte que eu tinha em Perth. E o meu amigo Alison que viajou pela Kangaroo (agência muito boa -minha preferida junto com a IP- que teoricamente sairia mais barato se eu viajasse por ela) para Sydney não contou com o mesmo suporte, isso porque Sydney ao contrário de Perth é talvez a cidade mais importante da Austrália. (porém não é a capital como muitos pensam, a capital da Austrália é Camberra!). Por essas e por outras recomendo muito a Information Planet para quem quer viajar (mas a Kangaroo que pesquisamos juntos e meu amigo viajou por ela não fica muito atrás). Depois descobrir que a escola também fornecia suporte para fazer currículo e dicas para procurar emprego, mas muito longe de ser tão bom quanto ao da IP! (até mesmo porque a IP fornecia o suporte em português)


Aquele escritório e aquele suporte da agência da Information Planet foi como um sonho para mim (apesar de não ser algo corriqueiro, eles chegaram ao ponto de até  mesmo consegui o primeiro emprego[!] de um amigo meu - o qual se chamava Nathan. Fantástico isso!). Agora finalmente eu tinha todo aquele suporte que eu necessitava e outrora eu ficava correndo atrás de brasileiros para conseguir! Assim não precisava mais me sujeitar a histórias malucas como a "história do celular" para conseguir algum suporte de alguém! Me sentia mais livre para evitar os "brazucas" na escola! (apesar de fazer isso sempre com cautela, já que apesar de tudo eu ainda não tinha emprego. Só passei a me sentir totalmente livre dos brasileiros mais de um mês depois, no dia 17 de janeiro quando consegui meu primeiro emprego fixo, graças dois amigos brasileiros os quais tenho muita consideração até hoje! Me senti como um escravo recebendo a sua alforria! Com emprego estável, finalmente me sentia totalmente livre para seguir meu rumo e evitar os brasileiros sem peso na consciência de está perdendo "contatos úteis" para conseguir emprego. Mantive só as amizades antigas e se descobria que alguém "novo" era brasileiro, sentava do outro lado da sala ou procurava nem me apresentar uhuhasuhsau... com discrição e na medida do possível, e sem faltar com educação claro hehehe).

Na quinta-feira, eu ainda continuava na sala errada! Já tinha reclamado na Information Planet que não me sentia bem na sala e eles me sugeriram mudar o nível! (mas eu não aceitei porque eu não sabia que se mudasse o nível eu sairia do IELTS e voltaria para turma de General English, que é onde eu deveria está). Continuava aquelas aulas maçantes! Logo quando eu cheguei eu visualizei uma cadeira vazia bem na frente (não é aquela sala que eu mostrei no post anterior, é uma diferente) numa mesa que não tinha nenhum latino-americano: estava lá a russa (que "falava pelos cotovelos") e uma Tailandesa, a mesma do post anterior (Kate). Ocupei aquela cadeira e vi isso como uma atitude ousada para aquele dia, mas que acabou saindo um desastre! Minha capacidade de ter fluência para falar ainda estava bem ruim e minhas falas foram tão poucas e desconexas que elas devem ter pensado que eu era "retardado"! uhuhauahaua. (sim, como as turmas teoricamente eram divididas por níveis, as vezes era mais fácil supor que alguém "desconexo" era retardado do que não tinha fluência suficiente para se expressar uahuahuah. Lembro que uma vez, um estudante novo do "básico" entrou em seu primeiro dia em uma turma nossa de "intermediário avançado" por engano e todo mundo tentando falar com ele e ele só sorrindo sem dizer nada ou dizendo uns "yes" sem conexão com nada... todo mundo pensando que ele era retardado, mas o bichinho só tava na turma errada, foi muito engraçado esse dia uahuahuahau... e como ele era brasileiro, no final eu que tive que dá um "help" pro garoto com atendimento personalizado em português hehehe)

A tailandesa até que era mais na dela, mas, meu amigo, aquela russa não parava de falar pelos cotovelos! Apesar de eu não falar muito, sempre tentava demonstrar que estava prestando bastante atenção, por isso só vivia com olhos "bem abertos"! kkk... A russa chegou até a comentar depois que eu só vivia assustado, com os "olhões" uahuahuaahua... um professor chegou a comentar a mesma coisa rsrsrs... Já a tailandesa pensava que eu era um rapaz bem tímido, porque quase não me via falar! Um fator da tailandesa (Kate), que eu gosto muito de lembrar, é que ela foi a única pessoa na escola que me acompanhou do meu primeiro dia de aula até o último (quatorze semanas) e ficamos amigos bem próximos depois! E algumas meses depois ela relatou exatamente isso aí: que ela achava que eu era um dos rapazes mais tímidos que ela já havia conhecido, porque eu não falava quase nada! Até que meses depois ela se surpreendeu ao me ver com um comportamento exatamente oposto daquela primeira impressão: eu já estava quase disputando com a russa na sala de aula para ver quem conseguia falar mais "pelos cotovelos"!!! hehehe (no período que a russa esteve na turma de "general english", que foi minha turma definitiva no final). E recebendo apelidos "no bom sentido" do carismático professor Paul como "vacuum cleaner" (porque quem sentava do meu lado não conseguia se concentrar, injustiça isso aí! uahushau) ou "speak underwater" ("fala pelo cotovelos" em inglês) ou então "tourist guy" pelos outros alunos (pela maneira um tanto "inusitada" que eu recebia os novos estudantes com informações e mapas ehehehe).

Na hora do intervalo procurando evitar os brasileiros de outrora procurei meu amigo colombiano Edwin, ele acabou me apresentando umas amigas colombianas (observação: não são as mesmas das fotos abaixo!). Me lembro que não curtir muito o "clã" colombiano naquele dia (apesar de mais tarde fazer várias amizades colombianas que valorizo muito), as meninas tinham o inglês bem ruim e as vezes misturavam um "portunhol" pelo meio quando não lembrava a palavra em inglês (ao contrário de uma colombiana -Camila- que conheci mais tarde que chegou  já no primeiro dia dela com um inglês tão fantástico quanto o da russa! E ambas era a primeira vez em país estrangeiro/anglófono! - as duas pessoas que mais me impressionaram neste quesito!). Fora que como era uma panelinha só de colombianos, a qualquer deslize meu eles já começavam a falar espanhol entre eles (nem davam muita bola de ficar falando inglês), e eu como não entendia nada de espanhol só podia ficar com cara de paisagem nessas horas! E eu nem conseguia muito assunto para puxar também, talvez porque eu ainda não tinha muita confiança para falar! Sim, tudo tava dando errado naquela primeira semana rsrsrsrs

Na sexta-feira dia 07, mais um dia daquela semana fatídica! Mais uma vez aquelas aulas maçantes focadas em gramática e exercício, a turma que eu não conseguia acompanhar, aquela "panelinha" fechada na sala que eu não conseguia me entrosar e eu não aguentava mais ouvir falar de IELTS! Era um "fala-fala" de IELTS o tempo inteiro! (apesar de  todas essas evidências eu ainda não tinha percebido que estava na sala errada) Conheci um japonês chamado "Hideto" que marcou desde do primeiro dia! O professor pediu para a gente formular um frase qualquer, eu não me lembro qual era a minha, mas a dele era: "Studying English make me sad" ("Estudar inglês me deixa triste")... escrever isso numa aula de inglês... que cara maluco! uhauahauahau... Mas graças a ele um dia eu troquei para a turma certa (isso ocorreu na semana seguinte). A escola havia cometido o mesmo erro com ele e ele mudou de turma e acabou me resgatando também. Assim, na semana seguinte eu, ele e a Tailandesa já tínhamos mudado para a turma certa de General English, e finalmente abandonado essa "droga" de IELTS!!! (quanto perca de tempo essa "droga" me causou! Podia tá desenvolvendo a fluência na turma de General English em vez de ficar perdendo meu tempo resolvendo exercícios de gramática!). Outra coisa que agradeço bastante ao Hideto é que mais tarde ele acabaria me apresentando vários asiáticos/asiáticas e abrindo para mim a porta para o mundo da Ásia: um fantástico mundo de maravilhosas pessoas de olhos puxados e o melhor, praticamente impermeável a brasileiros! Eu fui um dos poucos brasileiros (isso numa escola "infestada por esse mal")  que conseguiu adentrar nesse mundo (realmente, o grupo de asiáticos normalmente é "só asiáticos", não sei porque - o que me fazia ser um contraste entre tantas pessoas de olhos puxado!) e já tava até pensando em puxar meus olhos para ver se eu mudava de nacionalidade e as pessoas parassem definitivamente de falar português comigo quando eu estivesse lá na Austrália uahuashus

Para o pessoal não me acusar de dizer que não teve nada de legal na primeira semana na escola, aqui segue as fotos do torneio de ping-pong (como falei toda sexta-feira a escola organizava alguma atividade, essa semana foi um torneio de ping-pong, a seguinte a gente foi numa ilha e eu vi cangurus pela primeira vez e assim por diante...)

A galera que  participou do "torneio", da esquerda para a direita: o tcheco Šebák, a colombiana Magda, o brasileiro Augusto, o tcheco Dan, o colombiano Oscar, o brasileiro Nathan, o italiano Tore, o brasileiro "eu" e a colombiana Patricia.
 
 Pediram para fazer uma pose legal para sair na foto e eu como não tenho muito talento para poses acabei saindo dando dedo, não sei porque rsrsrs... O pior é que esta foto estampou a capa de um dos álbuns da escola no facebook heheheh


Novamente pediram uma pose legal! Dessa vez com a raquete na cara, mas eu não tinha raquete :(

O jogo foi disputado na modalidade dupla e na modalidade individual.


Na modalidade de dupla fiz time com Nathan (foto). Nós fomos a dupla vencedora (dream team? hahaha) e a gente recebeu aquele que o pessoal considerou o melhor prêmio: um "six-pack" da cerveja australiana Carlton (como assim? mesmo nome de cigarro no Brasil? uhuahsus), ficou 3 garrafas para cada e as dei de presente pro meu primo quando cheguei em casa! Me lembro que fiquei feliz pra caramba porque pensei que tinha recebido uma fortuna (como expliquei em post anterior, álcool é muito caro na Austrália), mas de fato essa bebida nem é assim tão cara quando comprada no mercado, mas sim quando comprado no bar ou no "club" (porque neste caso agrega ao mesmo tempo no produto duas coisas tradicionalmente caríssimas na Austrália: álcool e prestação de serviços)


O Šebák foi o vencedor na modalidade individual e levou de prêmio um tablete de chocolate (se não estou enganado pela foto). O engraçado é que os vencedores da modalidade dupla (eu e o Nathan) eles não fotografaram, porque disseram que foto de bebida alcoólica não era adequado ir pro facebook! É essas horas que me pergunto se ação de marketing da escola não foi muito falha: se eles sabiam que o prêmio não poderia divulgado, então para que entregaram tal prêmio? (visto que certamente a parte mais importante nesses eventos são o uso das fotos como divulgação e promoção da escola)

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