terça-feira, 2 de abril de 2013

Primeira dia na escola!

Aviso: Esse post foi escrito no dia 11 de fevereiro de 2013 quando eu ainda estava na Austrália. (Retornei para o Brasil no dia 09 de março, mês passado).

Na primeira segunda-feira (03/12/2012), meu primo deixou bem claro que eu não deveria ir para escola porque eu tinha acabado de chegar do Brasil (domingo a noite, depois de 30 horas de voo e relevantes 11 horas de fuso) logo eu não conseguiria dormir e acordar no dia seguinte, por causa do "Jet-lag" (descompensação em função do fuso horário). Mas por incrível que pareça dormir bem na primeira noite e acordei feliz e disposto para pegar o primeiro dia na escola no dia seguinte! Uma coisa engraçada é que antes de eu viajar, meu irmão mais velho já tinha me falado que essa história de fuso horário não existe de fato e é coisa de "viadinho" (nas palavras dele)! Ao dormir bem e acordar disposto logo no primeiro dia, fiquei muito emocionado pensando que poderia ter provado em pessoa que essa história de fuso é besteira e que eu nem mesmo tinha sido afetado! Sim, cheguei a ser atingido sim pelo fuso (como explicarei mais para frente), só que bem menos que o normal e beeeeeeemmmm menos que a histórias que as histórias que as pessoas contam por aí (o que me faz pensar que mais da metade do o pessoal fala por aí é só drama, algo psicológico ou mesmo "coisa de viadinho" como meu irmão me falou hahahah... visto que o fuso de onze horas é o pior possível, perdendo só para o de doze)

Meu primo me deu uma carona até as estação de trem de manhã (me emprestou 5 dólares também, porque eu só tinha nota de cem hahah) e mais uma vez não caminhei pelas ruas utilizando o inglês! Na hora de comprar o ticket do trem para ir para escola, era em uma máquina de auto-atendimento com tela de toque, de fato bem complicado! (especialmente porque aqui em Perth se paga proporcional ao trajeto, logo eu teria que entender como funcionava as zonas e saber para qual eu estava indo para comprar o meu trajeto). Vi naquela dificuldade a primeira oportunidade para usar o inglês, estava muito empolgado! Virei para trás e abordei a primeira mulher que iria comprar o ticket em seguida, expliquei que estava indo para a estação de McIver, pedir ajuda e expliquei que eu era do Brasil e era o meu primeiro dia na Austrália e blábláblá... nem sei se ela entendeu o que eu estava falando, mas quando ela ouvi "McIver" ela avançou na tela, clicou em todos os botões e me entregou o ticket sem praticamente pronunciar nenhuma palavra! (nem mesmo para me ensinar como funcionava aquele complicado sistema!) uahushaushua... Um balde de água fria! hahah... fiquei tão decepcionado que todo o meu caminho restante para escola fui também sem me comunicar com ninguém! (apesar de uma certa necessidade de pedir informações) Pelo menos na escola vão me receber bem, pensei!

Chegando na escola primeira coisa que vejo é uma placa no elevador: "New Students: dirijam-se ao terceiro andar", ok! Chegando no 3º andar, feliz igual criança quando recebe presente, pensei que no mínimo teria uma excelente recepção para o tal do "Novos Estudantes". Nada disso! Era um dia normal na escola (toda segunda-feira e não apenas aquela, chega novos estudantes na escola) e de fato nem mesmo encontrei alguém para conseguir informação! (eles não tem algo como recepcionista no terceiro andar) Balde de água fria de novo uahsuahusah... Encontrei alguém que parecia um professor para pedir informação, ele falou para eu apenas me dirigir para sala onde estava os outros novos estudantes esperando uma prova ser aplicada! (nada com muita emoção rsrsrs)

Fiz a prova e em seguida uma entrevista bem superficial (não sei como o cara conseguiu me avaliar com poucas perguntas rsrsr), peguei o nível 3A (de uma escala que vai de 1A pro 3B), o que seria algo como "Upper-Intermediate" (intermediário avançado). Cheguei as nove da manhã na escola (hora que começa todas as aulas e que eles marcaram com os novos estudantes) e por volta das dez e meia finalmente me jogaram numa sala de aula! (é na escola é assim mesmo, eles colocam os novos estudantes do nada, no meio da aula heheheh)...

A galera estava fazendo atividade em duplas e me juntei em trio com mais duas pessoas, um cara que parecia asiático e outro que não fazia a mínima ideia de onde era. O que parecia asiático (e realmente era) se apresentou como japonês (Taka, um dos japoneses mais loucos que já conheci! Quem sabe recebo ele ano que vem na minha casa para a Copa do Mundo no Brasil!!!), logo em seguida fui me apresentar e cometi uma das maiores gafes desde que entrei na escola! rsrsrs... Falei que era brasileiro, de uma cidade não muita conhecida (São Luís do Maranhão), mas disse que estudava e morava atualmente em São Paulo. Logo o outro cara que ainda não tinha se apresentado (e eu não tinha idéia de onde era, parecia ser europeu) me perguntou: "São Paulo, the Capital?"... poxa, São Paulo a capital? Fiquei encabulado! Mal começo a empolgação de falar com os colegas "gringos" na Austrália e a primeira coisa que recebo é uma pergunta dessa? Poxa, será que esses gringos cabeça-vazia não sabem que São Paulo não é capital do Brasil? uahsuahush... Ok, disfarcei o desapontamento e comecei a explicar calmamente que São Paulo NÃO É a capital do Brasil, caramba! Que a capital é Brasília e que São Paulo é apenas a maior cidade e blábláblá! Rapaz, não é que o ilustre desconhecido não demonstrava surpresa alguma e parecia ficar cada vez mais impaciente! Até que eu sou interrompido com um "Eu sei, cara! Eu sou do Brasil também, sou de Rio Claro (cidade do interior de São Paulo), eu estava apenas lhe perguntando se você era de São Paulo da capital ou do interior?!!!" (ainda em inglês)  uhaushuasahu! Depois dessa percebi que tinha acabado de cometer uma das maiores gafes possíveis: explicar para um brasileiro que Brasília é a capital do Brasil! uahsuahus... não sabia mas nem onde enfiar a cabeça depois dessa! hehehe

Ok, a aula ocorreu normalmente, mas bem pior do que a gafe em si, foi perceber que eu não estava sozinho como brasileiro ali na aula! É bastante chato perceber que depois de viajar mais da metade do globo a gente larga o Brasil mas infelizmente o Brasil nunca se larga da gente! Logo depois de terminarmos aquela atividade (e eu tentar esquecer a gafe rsrsr) a professora pediu para os outros alunos se apresentarem! Que decepção! Cada vez que eu escutava um "Heloo! My name is 'x' and I'm from Brazil" era como uma facada no meu peito! Do total de uns 15 estudantes (nossa, como aquela sala parecia gigante no meu primeiro dia, hoje parece tão pequena rsrsrs), cerca de um terço eram Brasileiros (contando comigo), outro terço hispânico sul-americano (provável que todos da Colômbia) e o terço restante mistura as demais nacionalidades do mundo (majoritariamente asiático, acho que tinha um europeu só, me recordo apenas uma garota da Polônia). Meu sonho de viver em um país estrangeiro totalmente desconhecido, em que eu não falaria/ouviria minha língua e teria inúmero amigos estrangeiros tinha desabado! (a boa notícia que pude ver mais para frente é que apesar da quantidade de brasileiros, eu fui infeliz de pegar um dia bem atípico na escola em que a proporção de brasileiros e sul-americanos estava anormalmente alta. De fato, mais para frente, cheguei até mesmo a assistir algumas poucas aulas sem nenhum estudantes brasileiro, apesar de isso ser bem raro!). Uma coisa bem interessante naquele dia é que a professora realmente ficou muito impressionada ao me ver ali assistindo aula "normalmente" sem nenhum efeito aparente do fuso, isso em menos de 24 horas depois de descer de um avião que partiu do Brasil!!! (ela ficou tão surpresa que não quis acreditar naquela segunda pela manhã que eu tinha chegado no domingo a tarde um dia antes)

Na hora do intervalo todo mundo se separou e eu fiquei meio-perdido pela escola! (afinal, não tinha nenhum "colega" após aquela experiência de talvez não mais que uma hora na sala de aula). Bom, pensei que era hora de tirar algumas dúvidas que eu tinha e já ir aproveitando para ir me entrosando com algumas pessoas. Bom, de fato o maior problema que eu tinha é que desde que eu cheguei é que eu não podia recarregar meu celular porque as tomadas na Austrália são diferentes, logo teria que comprar um adaptador para colocar meu carregador de celular brasileiro na tomada! (checar imagem abaixo)

Imagem de uma tomada "típica" aqui na Austrália.

Quando entrei no banheiro encontrei um colega de turma lavando a mão e que se eu não estava enganado era do Brasil também (perfeito, porque como ele passou pelo mesmo problema que eu, certeza que poderia me ajudar). Educadamente, perguntei: "Hey, brother. How are you? Are you from Brazil?". E recebi outro soco no peito com a seguinte resposta bem seca: "Sim!". Nossa, foi um dos sim's  mais frio e ríspido que recebi na minha vida rsrsrs... tava ali, todo empolgadão, primeiro dia na escola, pensando que como todo mundo tava ali para aprender inglês, todo mundo ia falar só inglês uns com os outros! Como pude ser tão inocente! hurhuahsuahus... depois do ríspido "sim" entendi a senha, infelizmente comecei a tirar minha dúvida em português com o cidadão! Mas, meu irmão que decepção quando esse cidadão começa a falar português, Deus do céu! O cara falou com tantas gírias pelo meio e expressões em inglês misturada (ele já tava a cerca de um ano aqui na Austrália) que para mim nem português ele falava direito! uahusahu... Ok, peguei a informação, saí correndo dali e prometi comigo mesmo que nunca mais falaria com aquele maluco uahushaushu (besteira, de fato até ficamos "amigos", ou melhor "colegas" depois, apesar de até hoje eu nunca prolongar conversa com ele porque ele só fala comigo em português)

Voltando para a aula não entendi nada, porque boa parte do alunos tinha mudado (de fato fui entender melhor depois, as duas primeiras aulas são aulas comuns e a última é de gramática, na aula de gramática alguns alunos se mantem na turma, meu caso, e outros mudam, caso a gramática do aluno esteja um nível diferente da turma). Encontrei uma garota asiática bem simpática e ela me apresentou como sendo tailandesa, na mesma hora lembrei do blog do meu irmão mais velho que viajou para lá e comecei a falar um bando de coisa específicas sobre a Tailândia (o blog do meu irmão sempre me ajuda nessas horas hahaha), pensei que ia impressionar ela com todos os conhecimentos apresentados hahahah... mas de fato percebi que não era nada demais, já que a Tailândia é um destino muito visado e várias pessoas viajam para lá e sabem várias coisas sobre o país também (ao contrário de um Camboja por exemplo), especialmente pelo país ficar perto da Austrália (de fato, Perth é uma cidade tão estranha que viajar para Bangkok, a capital da Tailândia, é quase a mesma distância do que viajar para Sydney). Ok, dei uma disfarçada e perguntei onde era possível ver cangurus! (pergunta que ficou clássica para mim porque eu sempre perguntava para todo mundo que eu tinha acabado de conhecer, aprendi a utilizar ela meio que como uma forma oficial de "quebrar o gelo" em meio a dificuldade de se comunicar bem em inglês naquelas primeiras semanas de adaptação hahahaha)

Foto da minha sala de aula aqui em Perth!

Fim de aula, nada especial! Fui comer meu lanche no Subway e infelizmente não consegui encontrar nenhum estudante  para ir comigo (apesar de achar o Subway muito saudável e barato, fui ver depois que isso era besteira, melhor mesmo é trazer o almoço de casa e por na geladeira da escola como todos os alunos fazem, depois esquentar e comer lá mesmo), no Subway não me lembro bem quem me atendeu no meu primeiro dia, mas apesar de patinar para entender o que o cidadão falava (especialmente por causa do sotaque/pronúncia australiana, só depois de algumas semanas comecei a me adaptar melhor) me lembro que fui bem atendido no meu primeiro dia! Ao contrário de outros dias que era quando uma "japinha" atendia, "ô mulher sem paciência, meu amigo", me lembro que toda vez que eu ia no Subway ficava torcendo para não ser ela o(a) atendente kkkkk...

Voltando do Subway me lembro de uma coisa que me marcou até hoje, um ativista me abordou e tentou me convencer a virar um doador financeiro regular para a Ong que ajudava pessoas cegas. (de fato nem lembro se isso foi no primeiro ou segundo dia). Óbvio que não ia virar contribuinte de droga nenhuma, mas comecei a enrolar o cara e dá corda só para não perder a chance de praticar inglês com ele... papo vai, papo vem, o cara pergunta de onde eu sou, eu respondo que sou do Brasil e não é que o filho de uma égua começa a falar português comigo???!!! (de fato um português bem "meia-boca", mas talvez melhor do que meu inglês no meu primeiro dia). O cara tinha família européia e já tinha morado um tempo em Portugal, logo tinha aprendido um pouco de português! Pronto, já tinha visto muito naquele dia (que coincidência algo assim ocorrer logo no primeiro dia), dei tchau pro cara e voltei para escola a tempo de pegar a aula opcional a tarde.

Uma coisa bem legal da escola que estou estudando é que depois de acabar as aulas pela manhã, eles oferecem aulas opcionais a tarde, todo os dias! Segunda é aula de vocabulário, Terça é conversação, toda Quarta tem um filme (em inglês com legenda em inglês), Quinta aula de pronúncia e Sexta sempre tem uma atividade de integração normalmente fora da escola  (como ir no Zoológico ou algo do tipo).

Como era segunda-feira, peguei a aula opcional vespertina de vocabulário! Não era nada demais, eles apenas separavam os alunos em grupo para completar umas atividades com palavras que estavam faltando em espaços em branco, no meu primeiro dia era sobre o corpo humano! Meu grupo era um italiano e duas asiáticas (aparentemente era só a aula ser "opcional" que quase não se via brasileiros, hahaha). As asiáticas pareciam ser bem tímidas (de fato, uma coisa que nunca dava para saber na escola quando conheço alguém é se a pessoa é realmente tímida ou se apenas fala pouco porque o inglês porque a fluência não é boa. Por isso aprendi a sempre perguntar antes qual é a classe da pessoa para discretamente saber o nível de inglês da pessoa e tirar essa dúvida) e o italiano era um maluco! O italiano era um cara que afirmava que tinha o inglês muito bom, mas só compreendia o que estava escrito, não o que era falado/pronunciado! De fato ele demonstrou um vasto conhecimento de vocabulário na atividade daquele dia, mas quando era para falar ou escutar, o cara realmente tinha uma dificuldade muito grande de se expressar ou compreender qualquer coisa que o outro estava falando! Na escassez de gringos (ele era um dos raros europeus na escola) e na ânsia para evitar brasileiros naquela primeira semana, lembro que me esforcei bastante para ficar bastante amigo dele, mas depois de um tempo desisti: o cara poderia ter bom vocabulário (saber o nome de todas as partes do corpo humano naquela atividade por exemplo) e talvez ter bom domínio de leitura, mas ele não conseguia expressar frases simples, isso era maçante! Bom, da mesma forma que ele veio, se foi! (acho que ele ficou parca 3 semanas na escola). Não peguei facebook e nunca mais o vi! O nome dele era Tore, ficaria feliz de ter notícias algum dia heheh...

Bom, depois da aula opcional a tarde, nada de importante. Apenas fiz um passeio pelas redondezas da escola e depois voltei para lá para imprimir um mapa e retornar para a casa do meu primo. Abaixo o trajeto que eu fazia todo dia quando retornava para casa antes de mudar para a casa da escocesa:

Trajetória para casa depois de descer do trem nas duas primeiras semanas.

Depois de descer do trem na estação, era cerca de 15 minutos de caminhada todo dia (1,2 km segundo o Google). Nada demais! Mas o que me assustava bastante no início era como o caminho era deserto e  bem mal iluminado (quase sempre eu retornava a noite, no escuro), e como todo bom brasileiro acostumado com altos índices de criminalidade, isso me incomodava bastante! (ainda mais para quem mora em uma cidade violenta como São Paulo). Demorou um tempo para o meu primo me convencer que isso não era Brasil, por isso não precisava me preocupar! (de fato algumas ruas em Perth chegam a ser bastante mal-iluminadas depois que a gente sai das partes principais como as avenidas -a escocesa me falou que isso ocorre por medida de economia sustentável de energia. Mas já me acostumei com isso, prefiro uma rua mal-iluminada aqui do que uma muito bem iluminada em São Paulo!). Com o caminho escuro e deserto e aquela virada a esquerda confusa no final, até me perdi no primeiro dia haha, demorei um tempo porque até para achar alguém na rua era difícil! (ou mesmo achar as placas hehe). Bom, e antes de dormir jantei novamente com o meu primo a comida indiana e novamente com bastante pimenta, tava até me acostumando com comida apimentada nessas duas semanas que fiquei na casa dele! haha

Nenhum comentário:

Postar um comentário